Ibis Silva Pereira

Coronel (RR) da Polícia Militar
Rio de Janeiro-RJ

“O tempo e o exercício da função policial me convenceram da estupidez e da desumanidade de tratar a questão das drogas pelo viés do confronto armado. O proibicionismo não é apenas uma burrice: é uma perversidade.”

ÍBIS SILVA PEREIRA é Coronel da Reserva Remunerada (RR) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, onde ingressou em 1983, servindo-a durante trinta e dois anos. Fez carreira, alcançando todos os postos da hierarquia até o coronelato Ocupou quadros da maior relevância, tendo sido comandante da Escola Superior; comandante da Academia de Polícia Militar; chefe de gabinete do Comando Geral e, por dois meses, Comandante da própria corporação.

Tendo perdido seu pai, que “decidiu antecipar sua saída deste mundo”, quando ele tinha apenas um ano e seis meses, o CORONEL ÍBIS narra que cresceu em um ambiente muito hostil a drogas ilícitas, já que sua mãe sempre relacionava as tristezas do marido ao uso e abuso de tais substâncias, o que o fazia acreditar na relação entre as drogas e o coração humano. A posição hostil foi reforçada pela opção profissional, talvez a tragédia familiar tendo contribuído para que, aos vinte anos, escolhesse a carreira de policial militar.

Diz, no entanto, o CORONEL ÍBIS que “o tempo e o exercício da função policial me convenceram da estupidez e da desumanidade de tratar a questão das drogas pelo viés do confronto armado.” E prossegue: “A chamada guerra às drogas, além de contribuir para o crescimento do próprio mercado que pretende arruinar, constitui causa imediata de vitimização tanto de policiais quanto de uma parcela expressiva da população – aquela diretamente envolvida no negócio, ou que se vê surpreendida em meio à cruzada bélica.”

Em seu processo de “conversão”, um fato o marcou. Quando ainda era um jovem oficial, foi encarregado da escolta de um soldado flagrado portando drogas. Expulso, restava conduzi-lo à prisão. Tratava-se, no entanto, de um colega de Batalhão por quem, não só ele, como todos seus integrantes, tinham muita estima. Esse fato o fez pensar e aprender algumas coisas. Como ele afirma: “O cárcere nos permite uma antevisão do inferno; a prisão é um mecanismo para administrar dor e, portanto, um atentado à dignidade humana. A razão pela qual naturalizamos esse instrumento de tortura é a distância. Quanto mais próximos dos homens e de seus dramas, mais nos tornamos avessos a esse dispositivo.”

Hoje, com quase o dobro da idade que seu pai tinha ao desistir, o Coronel ÍBIS SILVA PEREIRA diz que continua acreditando na relação entre as drogas e o coração humano, tendo compreendido, porém, que “as drogas consolam e o homem é um bicho que precisa ser consolado”.  E conclui: “O proibicionismo não é apenas uma burrice: é uma perversidade.”

Porta-Vozes

Anderson Duarte
Tenente da Polícia Militar Fortaleza - CE
Bruno Vieira de Freitas
Delegado de Polícia Civil Vitória-ES
Danillo Ferreira
Tenente da Polícia Militar Feira de Santana-BA