Textos

GUERRA ÀS DROGAS, GUERRA ENTRE DROGAS OU GUERRA ÀS PESSOAS?

Resumo da palestra do porta-voz da LEAP BRASIL, Coronel PM (RR) Jorge da Silva no painel “O Cenário da Governança e Gestão Pública, e as Faces da Intervenção na Segurança do Estado do Rio de Janeiro” da “Conferência ETHOS 20 anos / Rio de Janeiro” – junho 2018

“(…) A premissa com foco nas drogas serviu de atalho para que o presidente norte americano Richard Nixon, ao lançar a sua ‘guerra total’ às drogas em 1971, atingisse os seus verdadeiros alvos, conforme revelou vinte anos depois seu então Assessor para Assuntos Internos, John Ehrlichman: a juventude hippie, contrária à guerra do Vietnam, e os ativistas negros, na luta por igualdade. Bastaria, como fizeram publicamente, associar os primeiros à maconha e os segundos, à heroína, o que facilitaria a perseguição policial-penal que se seguiu a ambos os grupos (…) Na periferia do mundo, Brasil incluído, adota-se a lógica do presidente Nixon: criminalizar certas e determinadas drogas, a fim de construir um atalho para atingir os indesejáveis, pessoas e grupos. Solução: regulamentar todas as drogas, retirando das mãos do submundo o controle das que foram tornadas ilegais de forma seletiva e arbitrária.”


ALÉM DE MACONHA, O QUE VOCÊ ENCONTRARÁ NAS LOJAS CALIFORNIANAS QUE VENDEM A DROGA LEGALMENTE?

Texto de Fabrício Rosa, Policial Rodoviário Federal e porta-voz da LEAP BRASIL – fevereiro 2018.

“Estou de férias. Prometi a meus sobrinhos e demais familiares que passaria alguns dias aqui na baía de São Francisco, onde eles moram há muitos anos. Depois dos típicos passeios de sempre (Golden Gate, China Town, Castro Ave.), me dei o direito de conhecer de perto a forma como o mais rico estado americano lida com a ‘questão das drogas’ (…) O que encontramos? 1. Civilidade (…). 2. Higiene (…). 3. Trabalho (…). 4. Geração de renda para o Estado (…). 5. Saúde (…). 6. Segurança (…). Assim, saí com a sensação de que há luz para nossos milhares de jovens e de policiais que perdem a vida no desregulamentado comércio brasileiro. O país que fomentou a “guerra às drogas” está retrocedendo. Fora os 8 estados que legalizaram o uso recreativo, outros 20 e o Distrito de Columbia (Washington, D.C.) já autorizaram o uso medicinal. É a maturidade e o respeito vencendo o medo e a desinformação, duas poderosas drogas de que os políticos brasileiros dependem para continuar existindo.”


O PREFEITO, A CRACOLÂNDIA E A POLÍCIA: CRÔNICA DE UM ERRO REPETIDO

Texto de Rômulo de Andrade Moreira, Procurador de Justiça do Ministério Público da Bahia e membro da LEAP BRASIL – maio 2017.

“Foi amplamente divulgada pela imprensa a intervenção policial na chamada Cracolândia, local onde, desde o início dos anos 90, reúnem-se viciados em drogas. Com a ajuda do Governador, o Prefeito da capital paulista utilizou-se da Polícia Militar e da Polícia Civil para realizar uma tentativa de ‘higienização’ da área onde vivem miseravelmente os drogaditos (…). Repetiu-se, mais uma vez, o erro de considerar a questão das drogas como um problema a ser resolvido pela Polícia e pela Justiça criminal. Ora, ora, droga não é assunto de Polícia! Trata-se de questão muito mais sensível e que passa muito longe da repressão e do simplório proibicionismo (…).Creio ser preciso levar o debate adiante, no sentido mesmo da legalização das drogas, de toda e qualquer droga, e não somente do porte e do consumo, mas da produção e do comércio (…)”.


O ESGOTAMENTO DA POLÍTICA DE DROGAS

Palestra da porta-voz da LEAP BRASIL, Juíza (aposentada) Maria Lucia Karam, no Projeto Segunda 18h da Escola Institucional do Ministério Público de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG – maio 2017.

“(…) É preciso promover uma profunda reforma das convenções internacionais e das legislações internas, como a lei brasileira 11343/2006, para pôr fim à ilegítima, irracional, nociva e sanguinária política proibicionista de ‘guerra às drogas’, que, além de não funcionar em sua inviável pretensão de salvar as pessoas de si mesmas, produz demasiada violência, demasiadas mortes, demasiadas prisões, demasiadas doenças, demasiada corrupção, demasiadas discriminações, demasiada opressão, demasiadas violações a direitos humanos fundamentais. É preciso legalizar e consequentemente regular e controlar a produção, o comércio e o consumo de todas as drogas (…).”


O DIREITO PENAL DA GUERRA ÀS DROGAS

Artigo do porta-voz da LEAP BRASIL, Juiz Luís Carlos Valois, publicado no BOLETIM DO INSTITUTO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS CRIMINAIS (IBCCrim) nº 286 – setembro 2016.

“(…) Um Direito Penal que se pretende ciência deve urgentemente denunciar a farsa da proibição das drogas, capaz de tudo e de alcançar todos que se aproximam de uma substância, ampliando o poder punitivo até o limite da arbitrariedade, igualando uma relação comercial a uma morte violenta e tornando irracionais a prática e o estudo de algo que deveria servir como instrumento de Justiça. O Direito Penal das drogas é instrumento de guerra.”


DROGAS: POR QUE NÃO LEGALIZAR?

Texto de Rômulo de Andrade Moreira, Procurador de Justiça do Ministério Público da Bahia e membro da LEAP BRASIL – 2016

“Neste pequeno e despretensioso trabalho não tratarei da questão relativa à descriminalização das drogas, matéria, inclusive, já judicializada por meio do Recurso Extraordinário nº. 635659, pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal. Procuro agora um caminho mais além, um avanço, ao menos para que o debate fuja um pouco do lugar-comum, ainda mais que, ao que parece, a posição da Suprema Corte, ainda que contra majoritariamente, será pela descriminalização do porte da maconha para consumo próprio (o que, convenhamos, é muito pouco!). Creio ser preciso levar o debate adiante, no sentido mesmo da legalização das drogas, de toda e qualquer droga, e não somente do porte e do consumo, mas da produção e do comércio. Algumas razões levaram-me, após longa reflexão e alguns erros de avaliação, a concluir por essa opção e pela insuficiência da mera descriminalização (…).”


PROPOSTA DA LEAP BRASIL PARA A UNGASS 2016

Proposta apresentada pela presidente da LEAP BRASIL, Juíza (aposentada) Maria Lucia Karam, na Mesa “Propostas para UNGASS 2016 – ABRAMD e seus Parceiros”, no V Congresso Internacional da Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas (ABRAMD) – dezembro 2015.

“A UNGASS 2016 – Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o problema mundial das drogas – a se realizar em abril de 2016 em New York, decerto constitui importante ocasião para uma efetiva mudança de rumos na globalizada política de proibição às arbitrariamente selecionadas drogas tornadas ilícitas, expressada nas três convenções internacionais sobre o tema, que constituem a fonte normativa da insana, nociva e sanguinária ‘guerra às drogas’. Essa ocasião não deve ser perdida. As propostas para a UNGASS 2016 não devem se contentar em tentar pequenos passos e apenas propor tímidas reformas parciais; não devem se limitar a buscar formas de complacente e comodamente conviver melhor com a proibição. É preciso sim levar à UNGASS uma proposta abrangente que efetivamente aponte para o fim da proibição, para o fim da insana, nociva e sanguinária política de “guerra às drogas”; uma proposta que abra o caminho para a necessária legalização e consequente regulação e controle da produção, do comércio e do consumo de todas as drogas.        É essa abrangente proposta que a Law Enforcement Against Prohibition (LEAP) traz sob a forma de emenda às vigentes convenções proibicionistas, sugerindo-a como um modelo a ser adotado e apresentado, integral ou parcialmente, por Estados-membros dispostos a iniciar um sério e concreto esforço no sentido de efetivamente romper com os repetidos discursos de ‘voz única’ que têm sustentado, no âmbito das Nações Unidas, a falida e danosa proibição (…).”


DROGAS: ALÉM DA DESCRIMINALIZAÇÃO DO CONSUMO

Palestra da porta-voz da LEAP, Juíza (aposentada) Maria Lucia Karam, no evento Liberdade na Estrada: Recife 2015, promovido por Coletivo Nabuco; Estudantes Pela Liberdade; e Instituto Ordem Livre – setembro 2015.

“(…) A legalização e consequente regulação e controle da produção, do comércio e do consumo de todas as drogas é sim a opção política indispensável para definitivamente pôr fim à insana, nociva e sanguinária “guerra às drogas”; para definitivamente pôr fim a todos os inúmeros danos causados pela proibição. Somente a legalização – e consequente regulação e controle – da produção, do comércio e do consumo de todas as drogas porá fim ao mercado ilegal e devolverá ao Estado o poder de regular, limitar, controlar, fiscalizar e taxar tais atividades, da mesma forma que o faz em relação às drogas já lícitas, como o álcool e o tabaco. Somente a legalização da produção, do comércio e do consumo de todas as drogas permitirá a submissão de tais atividades a formas racionais de regulação e controle verdadeiramente compromissadas com a promoção da saúde e respeitosas da dignidade e do bem-estar de todos os indivíduos.”


DROGAS: LEGALIZAR PARA RESPEITAR OS DIREITOS HUMANOS

Conferência da porta-voz da LEAP, juíza (aposentada) Maria Lucia Karam, na abertura do Seminário Redução de Danos: Saúde, Justiça e Direitos Humanos, promovido pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas Gregório de Matos (CAPSad GM) e Aliança de Redução de Danos Fátima Cavalcanti (Programa de Extensão Permanente da Faculdade de Medicina da Bahia) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Salvador-BA – agosto 2015.

“(…) o fim da proibição significará o afastamento da insana, nociva e sanguinária política de ‘guerra às drogas’ que é hoje uma das maiores fontes de violação a direitos humanos fundamentais. Para respeitar os direitos humanos, também é preciso legalizar e consequentemente regular e controlar a produção, o comércio e o consumo de todas as drogas.”


TRAFICANTES: OS INTOLERÁVEIS DO SÉCULO XXI

Texto de Fabrício Silva Rosa, policial rodoviário federal e integrante da LEAP – 2015.

“(…) O assassinato de Jean Calas, em 1792, e as milhares de outras mortes violentas que as gerações de outrora presenciaram, como aquelas ocorridas nas ‘Núpcias de sangue em Paris’, são, reconhecidamente, frutos da intolerância religiosa – ao menos, para a maioria das pessoas. Essa afirmativa nos conduz à seguinte indagação: a aplicação da pena de morte a Curumim terá esse mesmo significado aos olhos daqueles que discutirão o caso daqui há duzentos anos? A atual cruzada contra as drogas será retratada como o modelo de intolerância que mais exterminou pessoas nos séculos XX e XXI, em substituição à matriz religiosa de intolerância de séculos anteriores? (…)”